Deixa eu adivinhar: você olha o gerenciador do Google Ads, vê que uma campanha tem o CPL mais barato e escala nela. Faz sentido, né? Só que tem uma armadilha aí — a campanha do lead barato pode estar trazendo curioso, enquanto a do lead "caro" traz cliente que fecha. Sem devolver essa informação pro Google, você otimiza por volume de lead, não por resultado.
A ponte que resolve isso chama conversão offline. E pra ela funcionar, você precisa salvar um dado no clique: o identificador da campanha. Hoje ele tem três nomes — gclid, gbraid e wbraid. Vamos entender cada um e como usar.
O que é o GCLID
O GCLID (Google Click Identifier) é um código único que o Google adiciona na URL de destino toda vez que alguém clica no seu anúncio. Ele carrega, de forma amarrada àquele clique, informações como origem, campanha, palavra-chave, tipo de correspondência, mídia e landing page.
É com esse ID que o Google consegue ligar o clique à conversão — inclusive uma conversão que acontece depois, fora do site (uma venda no balcão, um lead que virou contrato). A URL fica assim:
https://seusite.com.br/lp?gclid=Cj0KCQ...ExemploDeGclid
O que o iOS 14 quebrou
Com a política ATT da Apple (aquele "pedir permissão pra rastrear"), o Google parou de mandar o gclid no tráfego de iOS. Resultado prático: queda nas conversões de site e nas conversões offline reportadas — justo o dado que você usa pra saber o que dá certo.
Pra não deixar o iPhone virar um buraco negro de dados, o Google criou dois parâmetros novos, feitos pra respeitar a privacidade: o gbraid e o wbraid.
GBRAID e WBRAID: a resposta do Google pro iOS
Diferente do gclid, que é ligado ao clique de um usuário, os "braids" trabalham de forma agregada e modelada — medem a performance sem amarrar a conversão a uma pessoa específica. É isso que os torna compatíveis com a ATT da Apple.
| Parâmetro | Dispositivo | Quando aparece | Natureza |
|---|---|---|---|
gclid |
Não-iOS (Android, desktop) | Clique de anúncio, na URL | Nível de usuário (individual) |
wbraid |
iOS | Cliques associados a conversões web | Agregado / privacy-preserving |
gbraid |
iOS | Cliques associados a conversões de app (e cliques vindos de apps) | Agregado / privacy-preserving |
Na prática, você não escolhe qual vem — o Google coloca o que se aplica a cada clique. No Android e no desktop, vem o gclid. No iOS, no lugar dele aparece o wbraid (conversões web) ou o gbraid (conversões de app). O gclid não vai desaparecer: ele continua reinando onde a ATT não bate.
A regra de ouro: capture qualquer um dos três que estiver na URL. Não dá pra assumir que sempre vai ter gclid — se você só olha pra ele, perde toda a atribuição do público iPhone.
Onde isso vira dinheiro: a conversão offline
Aqui está o pulo do gato pra quem gera lead. A documentação do Google é clara: a importação de conversões offline aceita gclid, gbraid/wbraid ou dados do cliente. Cada conversão sobe com um timestamp e um desses identificadores. O fluxo é este:
- Capture o parâmetro (
gclid,wbraidougbraid) já no primeiro clique, direto da URL. - Guarde em cookie primário e envie junto com o lead pro seu CRM/planilha (com data e hora).
- Quando o lead vira cliente (qualificou, fechou, comprou), suba essa conversão offline com o ID salvo + o momento + o valor.
- O Google atribui a venda à campanha certa e passa a otimizar por quem fecha, não por quem só preenche formulário.
Um arquivo de importação, no formato mais simples (por GCLID), tem esta cara:
Google Click ID, Conversion Name, Conversion Time, Conversion Value
Cj0KCQ...123, Lead Qualificado, 2026-08-08 15:30:00 -0300, 1500
Cj0KCQ...456, Venda Fechada, 2026-08-09 10:12:00 -0300, 4200
Para o público iOS, o mesmo raciocínio vale trocando a coluna do ID por WBRAID ou GBRAID. Detalhe importante: conversões via braid podem levar até 72h pra processar (contra menos de 12h no gclid), porque são medidas de forma agregada.
Por que isso muda o jogo: de que adianta manter a campanha de CPL mais baixo se quem traz cliente é a de CPL mais alto? A conversão offline mostra isso preto no branco no gerenciador — e o algoritmo passa a buscar mais gente parecida com quem compra, não com quem só clica.
Detalhes que salvam (ou afundam) o setup
- Capture no primeiro toque. Se o lead navega, atualiza a página ou é redirecionado, o parâmetro some da URL. Persista em cookie primário na hora que ele chega.
- Não misture os IDs. Cada conversão usa um identificador. gclid é gclid; braid é braid.
- Respeite a janela de conversão. Suba a conversão dentro do prazo aceito pela sua conta, com o timestamp correto (e fuso).
- Considere Enhanced Conversions for Leads. É o caminho moderno do Google: em vez do gclid, você importa a conversão usando e-mail/telefone com hash. Funciona junto e é mais resiliente à perda de parâmetro — vale usar em conjunto.
- Consentimento. Colete e envie tudo respeitando o consentimento do usuário (Consent Mode).
O elo brasileiro: WhatsApp
No Brasil, o lead quase sempre termina no WhatsApp. E é exatamente aí que o rastro morre pra maioria: a pessoa clica no anúncio, cai na página, chama no WhatsApp — e o gclid/braid fica pra trás. Se você não captura o identificador antes desse pulo e não o carrega até o fechamento, não tem como enviar a conversão offline.
É por isso que a gente amarra o clique do anúncio à conversa desde o primeiro segundo: cookie primário segura o ID, a mensagem chega identificada, e quando o lead vira cliente a conversão volta pro Google com valor. Aí sim o gerenciador para de mentir sobre qual campanha realmente traz resultado.
Resumo: gclid (não-iOS), wbraid (web iOS) e gbraid (app iOS) são as chaves que ligam o clique à venda. Capture o que vier, guarde em first-party, e suba a conversão offline com valor. Você troca "volume de lead" por "qual campanha traz cliente" — e otimiza pelo que importa.